segunda-feira, julho 09, 2007

Seis Meses

Desde quando cheguei aqui, há seis meses, muita coisa mudou.

Cheguei aqui com 17 anos, doido pra completar logo 18 e pode sair para a noitada; era totalmente deslumbrado com tudo; nada de errado para um pirralho que nunca tinha passado nem um mês longe de casa. Porém a sensação de liberdade – apesar de ser a melhor – não me subiu a cabeça. Desde o começo fui muito sereno e com os pés no chão, talvez por ter passado mais de 5 meses me preparando e amadurecendo a idéia de morar em outro país.

No começo de tudo parecia ser muito divertido – e era! – eu vivia uma vida de estudante de férias, conhecendo novas pessoas dos mais diferentes paises todos os dias, incluindo as centenas de Brasileiros, durante uns 2 meses. Todo dia era uma festa, no sentido de ser bom. Depois do primeiro mês aqui, como eu tinha conhecido muitos brasileiros que chegaram mais ou menos na mesma época, começamos a nos mudar (porque quem vem, geralmente só tem um mês de acomodação pago e depois disso começamos a procurar um lugar para ficar). Então todos os dias se reunia todo mundo em uma casa só e ai rolava sempre um filminho ou só um papo sem futuro, sempre regados a comidas – cozinhar era quase um evento, já que ninguém fazia isso no Brasil – sorvetes e mais sorvetes naqueles dias de verão que pareciam ser 40 graus.

Me mudei a primeira vez, mas sabia que ia ser uma coisa temporária, apesar do preço ser bom, eu dividia o quarto com mais 2, ou seja, 3 pessoas morando em um quarto que daria confortavelmente apenas uma ou no máximo um casal. Enfim, me mudei pela segunda vez, e aqui estou ate hoje, por enquanto.

As 5 horas de aula de inglês que era sempre muito divertida foram se tornando aos pouquinhos um saco. Consegui o meu primeiro emprego, em um restaurante, servindo os pratos, o qual não durou muito por ainda não estar acostumado com a língua. Consegui o meu segundo, na cozinha de um restaurante, esse eu não precisava falar muito e só tinha brasileiro trabalhando la. Porem este também não durou muito, acho que ate mesmo por um desinteresse meu. Fiquei um tempinho parado, sem trabalhar em nada até que surge um emprego, como eu tava querendo a grana, aceitei de cara – mesmo sem saber do que se tratava – eu só sabia que era para limpar, o que eu não fazia a menor idéia. O que não passou pela minha cabeça era que eu iria trabalhar em media de 11 horas, com 30 minutos de intervalo limpando uma construção. Acho que essa foi a minha pior experiência aqui na Austrália. Na verdade eram apartamentos já prontos de uma construção que estava em fase de acabamento; muito simples se cada apartamento não tivesse um palmo de poeira. Depois desse longo e único dia traumático, que já foi mais do que o suficiente, fiquei mais ou menos um mês para poder ser pago.

Logo depois, consegui o emprego no pub, o qual trabalho ate hoje, há três meses. Não preciso dizer que eu simplesmente adoro trabalhar la, ne?! Nesse meio tempo, as aulas de inglês acabaram, na verdade eu acabei com as aulas chatas de inglês; isso mesmo, finalizei o meu curso 3 meses mais cedo e fiz a difícil porém não dolorosa decisão de fazer Hospitality – um curso de um ano e meio que me dará uma maior facilidade para adquirir meu visto de residente aqui - a qual eu já havia pensado desde o Brasil; todavia eu me perguntava todos os dias durante um mês e meio se era isso mesmo que eu queria e se esse alto investimento valeria mesmo a pena. Estando de férias – por 2 meses – me surgiu a brilhante oportunidade de trabalhar todos os dias e fazer um dinheirinho a mais. Brilhante que desde o segundo dia foi ficando opaca, até o dia em que escureceu de vez. É, eu trabalhava limpando um hospital dental universitário; o trabalho era ruim e o meu supervisor pior ainda. No segundo ou terceiro dia eu vi que aquele não seria um dos meus melhores empregos, na segunda semana de trabalho eu perguntava todos os dias para mim mesmo o que eu estava fazendo ali mas o dinheiro falou mais alto, mas foi ficando rouco e perdeu totalmente a voz com um mês e meio.

Nesses seis meses sai para noitada pouco mais de 5 vezes, fiz duas viagens pequenas e fui a um parque de diversões. Ainda não vi kangaroo nem coalas. Mas não me preocupo muito com isso, pois a minha jornada aqui na austrália está apenas começando.

O tempo esfriou – lê-se: o inverno mais frio dos últimos tempos - e comecei a viver a minha vida com um pequeno toque de rotina. Conheci duas pessoas muito bacanas - lê-se: pessoas fantasticas - que se tornaram as amigas mais próximas.

Amadureci bastante e mudei – um pouquinho em cada aspecto – a maneira de ver e viver a vida.

Não falo em saudades, pois este é o sentimento que mais dói, de todos que você possa sentir um dia. Só digo que com o fantástico meio de comunicação chamado Internet, onde câmeras e microfones fazem milagres, a gente tenta ir driblando a dorzinha que nos maltrata.

E que venham os outros seis.

E mais 6

+ 6

+ 6...

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